Agropecuária
Educação é caminho para enfrentar violência de gênero, afirmam especialistas
16/04/2018 às 09h18

A educação é o caminho para enfrentar a violência, apontaram os especialistas no segundo dia do Seminário de Promoção Social do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em Brasília. O evento recebeu, durante dois dias, profissionais de diversas áreas e gestores de promoção social das Administrações Regionais para debater estratégias de aprimoramento das ações de saúde preventiva desenvolvidas no campo.

“Há medidas imediatas para enfrentar a violência, mas não dá para ter uma viatura na frente de cada casa e um policial ao lado de cada pessoa, por isso nosso grande desafio é a alfabetização emocional. Com ela vamos melhorar os índices de aprendizagem para termos uma próxima geração de pessoas melhores”, afirmou João Roberto Araújo, mestre em Psicologia Social pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

A professora do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília, Cláudia Pedrosa, mostrou dados sobre uma pesquisa com 611 mulheres do campo e da floresta que participaram da Marcha das Margaridas em Brasília. Os resultados mostraram que mais de 50% das mulheres sofreram violência moral, 27% violência física e 23% violência sexual.

“Violência de gênero é uma construção cultural, está atrelada ao lugar que a mulher é colocada na sociedade. E no meio rural há o isolamento que muitas vezes nos impede de saber o quanto essas mulheres estão sozinhas e em busca de cuidado. Elas sofrem caladas por medo de não ter para onde ir, de perder ou não ter como sustentar os filhos.”

Na avaliação de Cláudia Pedrosa, a articulação do Senar em todo o País pode expor esse quadro de violência e contribuir para que essas mulheres participem de uma rede de apoio e enfrentamento.

“Conscientizar essas mulheres que o que elas sofrem é uma violação dos seus direitos que muitas vezes agravam sua saúde é o primeiro passo para o enfretamento e a mudança de comportamento. A gente tem muito ainda a avançar, apesar dos nossos movimentos já terem alcançado tantas conquistas no campo das políticas públicas.”

O assunto também foi debatido pelo juiz Ben-Hur Viza, Titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Núcleo Bandeirante e Juiz-Coordenador do Núcleo Judiciário da Mulher do TJDF. O jurista citou algumas histórias infantis (Bela adormecida, Branca de Neve, A princesa e o sapo) e destacou como a diferença de gêneros já está inserida na vida das pessoas desde a infância. 

“A mulher sobre uma pressão muito grande da sociedade para que case e seja feliz para sempre. Ao homem não, a ele pertence o mundo e a mulher a casa e suas obrigações. Uma mulher pode ser o que for, linda, pós-graduada, etc, se ela não tiver um homem não é nada. O que eu quero dizer com isso é que a violência doméstica está ligada à questão de gênero. É essa visão da sociedade que temos que mudar.”

Para a coordenadora de Programas e Projetos na Área de Saúde Rural, Deimiluce Fontes Coaracy, o primeiro passo foi dado para reconhecer a invisibilidade da mulher rural e mudar sua realidade.

“Nós, enquanto instituição de educação, temos que nos comprometer com isso, para que ela se reconheça em situação de violência e entenda que ela pode contar com uma rede de apoio e lutar por políticas públicas que cheguem até ela. Fechamos o evento muito felizes porque temos certeza as regionais vão criar meios para que a gente ajude as pessoas do meio rural a mudar de comportamento.”

Assessoria de Comunicação CNA/SENAR

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